Carla Marcos Fernandes

6 Julho, 2007

A União Europeia, a Rita, o Sebastião e o Craig.

Filed under: Sem categoria — carlamarcosfernandes @ 10:11 am

 

Sempre ouvi dizer que uma decisão minha pode interferir na vida de alguém que eu não conheço lá na Mongólia. Nunca liguei muito para isso, mas os acontecimentos ao longo desta semana me fizeram acreditar mais nesta teoria. Vejamos os factos:

 I PARTE 

Notícia da semana (passada):

Quarta-feira, 27 de Junho, União Europeia anuncia que a TAAG – Transportes Aéreos Angolanos, seria colocada em uma lista negra por causa de problemas relacionados a segurança. Caso a decisão fosse mantida, a companhia de bandeira angolana seria proibida de operar em espaço aéreo europeu.  

Como tudo começou:

Fevereiro e depois Maio: Peritos franceses questionam o facto de os aviões usados pela TAAG, na linha Luanda-Paris, não terem os manuais actualizados. Autoridades francesas levam o caso à União Europeia. 

A gota de água:

Quinta-feira, 28 de Junho, um Boeing 737 da TAAG parte-se ao meio, ao aterrar na província de M’banza Congo, matando pelo menos seis pessoas e ferindo outras tantas.

 Os precipitados:

Ainda quinta-feira, 28 de Junho, antes mesmo da União Europeia confirmar a sua decisão, a British Airlines anuncia que a TAAG está proibida de voar para Londres (a companhia Angola começaria a voar para Londres a partir do próximo dia 12 de Julho). 

A Retaliação:

Sexta-feira, 29 de Junho, Angola retira à British Airlines a licença de exploração da linha Londres-Luanda, o que provocou o cancelamento, em cima da hora, do voo semanal da companhia britânica, deixando em terras da rainha vários passageiros. O INAVIC – Instituto Nacional de Aviação Civil, notifica verbalmente a TAP, a Sabena e a Air France da possibilidade de verem anuladas as suas licenças. 

Facto consumado:

Quarta-feira, 4 de Julho, União Europeia bate o martelo. Agora é oficial: A TAAG está proibida de voar para a Europa. A medida entra em vigor a partir de sexta-feira, 6 de Julho.

 II PARTE 

A fã:

Rita de Sousa, angolana, 19 anos, estudante do médio, moradora da Samba. Conhece a TAAG, mas nunca andou de avião. Da British Airlines nunca ouviu falar. Da União Europeia lembra-se muito vagamente de já ter ouvido qualquer coisa a respeito na escola.

Quinta-feira, 28 de Junho. Enquanto o avião caía lá em M’Banza Congo, em Luanda Rita enfrentava uma fila quilométrica para comprar ingressos para o Show do cantor Craig David. Depois de “convencer” o namorado a fazer o possível e o impossível para conseguir o dinheiro, Rita não pensava em outra. Uma hora e meia depois, já estava com o ingresso na mão. Apenas um. O camarote custava 100 dólares, exactamente a quantia que o namorado havia conseguido. Ela poderia ter escolhido a Plateia – cada lugar custava 50 dólares – e levar o namorado. Poderia ter escolhido Peão por pouco mais de 20 dólares cada. Iriam os dois e ainda sobrariam alguns trocados para o lanche ou para esticar a noite. Mas não. Rita queria o camarote. Só pensava em estar o mais próxima possível do Craig. Quando anunciou que a quantia só havia chegado para o seu ingresso porque decidiu pagar camarote, levou umas bofas do namorado que revoltado terminou tudo na hora. Rita não se importou, afinal, quem era o Sebastião perto de um Craig David.  

O namorado:

Quarta-feira, 27 de Junho. Enquanto a União Europeia, lá em Bruxelas, anunciava a inclusão da TAAG na lista negra, aqui em Luanda Sebastião, balconista da cantina do Mustafá, quebrava a cabeça a pensar onde arranjaria dinheiro para os ingressos do show do Craig David que a sua namorada tanto amava. Entre a revolta de saber que existia um outro homem na vida da amada e o orgulho de macho de provar que era capaz de bancar as suas vontades, Sebastião decidiu: faria qualquer coisa para agradar a namorada. Aproveitando-se da distração do chefe, que largou o telemóvel em cima do balcão para ajuda-lo a atender a clientela que aumentava, Sebastião não vacilou. Agarrou o aparelho e escondeu na cueca. Quando o movimento acalmou e Mustafá deu por falta do telemóvel já era tarde. Sebastião apenas comentou com naturalidade que um dos clientes deveria ter se aproveitado da distração deles enquanto trabalhavam.A noite vendeu o aparelho ali mesmo no bairro, por 100 dólares. O telemóvel era dos bons e estava quase novo. 

O ídolo:

Sexta-feira, 29 de Junho. Enquanto Angola retirava à British Airlines a licença de exploração do seu espaço aéreo, em Londres o cantor britânico Craig David, que era aguardado em Luanda para uma série de espectáculos, foi obrigado a abandonar o avião.  

A decepção:

Sábado, 30 de Junho, 10 horas da manhã. Enquanto Rita comprava um vestido novo, comentava com a vendedora que a roupa era para o show de logo mais. A vendedora recebeu o dinheiro tranquilamente, passou a factura, entregou o embrulho e disse naturalmente: “O Craig David não veio. Ficou com medo de cair de avião.” Rita sentiu o chão abrir. “Gastei 100 dólares no ingresso… terminei com o meu namorado… comprei roupa nova. O Craig não pode fazer isso comigo” Rita reclamou, se queixou. E quando chegou em casa destruiu toda a colecção de cds do Craig David. Prometeu nunca mais ouvir nenhuma música dele. Craig David acabava de perder uma fã. 

A detenção:

Ainda sábado, 30 de Junho, 10 horas da manhã. Sebastião é arrastado para o carro da polícia. Mustafá havia descoberto que tinha sido ele o gatuno do telemóvel. O comprador era balconista de uma outra cantina do Mustafá que ficava num bairro vizinho. Ao chegar na manhã de sábado para abrir a cantina (do bairro vizinho), Mustafá ficou estupefacto ao ver o empregado a exibir orgulhosamente o seu telemóvel. No momento que era arrastado para o carro da polícia Sebastião pensava “Tudo por causa do Craig David. Vou matar aquele gajo.” Craig David acabava de ganhar um inimigo mortal.  

A Moral da história:

Muito cuidado com as decisões que tomar. Elas podem mudar a vida de alguém que você nem conhece lá na Mongólia.   

12 Junho, 2006

O reencontro de Davi e Golias

Filed under: Crónicas — carlamarcosfernandes @ 2:29 pm

É, Angola não fez feio. Superando todas as expectativas, o País estreante e candidato a pior equipa deste Mundial entrou em campo e mostrou muita garra. Marcamos, defendemos, corremos e atacamos. É verdade que fizemos algumas trapalhadas, mas nada imperdoável para uma selecção que participa de um Mundial pela primeira vez e que, logo de cara, teve que enfrentar uma das melhores equipas deste Mundial. Equipa esta que é a actual vice-campeã europeia e tem como têcnico o responsável pelo Penta do Brasil. Era a disputa entre o pequeno Davi e o gigante Golias.

Parecíamos não acreditar, mas estávamos ali em campo para disputar o Mundial da Alemanha ao lado de feras como Figo, Pauleta e Cristiano Ronaldo. Nos primeiros minutos de jogo, os Palancas pareciam estar ainda em estado de “deslumbre” com todo o clima de estreia e da grandiosidade do evento em si e, logo veio a tristeza. Sofremos o primeiro golo aos 4 minutos do primeiro tempo. O golo mais rápido do Mundial até agora. Desespero total. Admito que naquela hora, a única coisa que passou pela minha cabeça e muitas outras foi “vamos perder de goleada”, mas, ao contrário do que pretendia a equipa lusa, a goleada não aconteceu.

Entre escorregões e alguns tantos cartões amarelos, os Palancas foram saindo aos poucos do êxtase até perceberem que podiam jogar de igual para igual com o adversário que antes parecia um gigante. Vimos a oportunidade de um empate escapar por entre as pernas do Akwá na tentativa frustrada de um golo de bicicleta. Uhhh… tivemos que engolir o grito de golo que já estava na boca. É… Akwá, não precisava fazer bonito, apenas fazer!

Com o coração na mão ou a mão no coração, vimos o João Ricardo fazer grandes defesas, enquanto ficávamos a espera do empate que não saía. Chegaram as substituições. Com o Mantorras em campo as esperanças aumentaram. Vai… vai… vai… uhhhh. Agora… agora… chuta… e uhhh de novo. Marcado o tempo todo por no mínimo três jogadores da equipa adversária cada vez que tocava na bola, ficou impossível para Mantorras fazer o golo e o grito ficou definitivamente entalado na garganta.

Os Palancas correram, atacaram, marcaram e defenderam. A torcida incentivou, gritou, sofreu e se esgoelou. É, tentamos de tudo. A equipa tentou, a torcida ajudou mas o empate não saiu. Ficamos no quase, mas mostramos para o mundo inteiro que no futebol não existe mesmo favoritismo. Conseguimos assustar os tugas. O Cristiano “frustrado” Ronaldo que o diga, caso ele sobreviva a crise de raiva por ver o sonho da goleada cada vez mais distante. No fim de tudo, o que ficou para nós, mangolés, foi a sensação de uma derrota com sabor a vitória. E ahora que vengan los chicanos.

12 Maio, 2006

Presente de Mãe

Filed under: Crónicas — carlamarcosfernandes @ 2:10 pm

A cólera é que está a dar, a cólera é que está a bater, mas é véspera do dia das mães, então, deixe-mos a cólera pra lá. Vamos falar de coisas boas, coisas que lembrem a figura materna. E por falar em lembrar, lembrei que ainda não decidi o que dar de presente para a minha mãe, apesar de ter estado a pensar nisto a semana toda. E para piorar, quer dizer, piorar não, para comemorar em dobro ainda tem o aniversário dela um dia antes, ou seja, amanhã. Tenho que decidir logo porque o presente vai ser um só. Por isso tem que ser um bem especial. Toalha de mesa, lençóis, algum electrodoméstico? Não, não, não. Definitivamente tem que ser algo para ela. Alguma coisa que só ela irá usar, afinal é o aniversário dela e o dia da mãe e não o dia da casa. Então vamos lá de novo. Jóias ela não usa. Perfume… hum… sei lá! E se ela não gostar do aroma? Roupa é complicado escolher. Flores? Talvez! Toda mulher gosta de receber flores nã? Ufff… difícil presentear alguém com tamanha importância. Melhor pensar um pouco mais.

Já sei. Vou usar outra táctica. Se eu fosse mãe o que eu gostaria de receber dos meus filhos? Humm deixa eu ver… ehhh… ehhh… puxa pensando assim é muito relativo. Fico lembrando de todas as imagens de alegria das mães. A alegria em ouvir dos filhos a primeira palavra, ver os primeiros passos. Alegria que enche os olhos por qualquer coisa, tipo uma gargalhada (tem coisa mais gostosa que gargalhada de bebê?), uma careta (a minha sobrinha fazia uma muito engraçada antes de completar 1 ano, só ela conseguia fazer e todo mundo morria de rir). Basta qualquer bobagenzinha infantil que as mães logo transformam em verdadeiro acontecimento, o que me leva a pensar que essas pequenas bobagenzinhas devem ser verdadeiros presentes para qualquer mãe. Presentes que elas deixam guardadinhos pelo resto da vida. Deixam guardados na lembrança e no coração e, sempre que precisam vão lá dar uma olhada. é por isso que toda mãe adora contar história para todo mundo de quando os seus filhos eram crianças. Vão dizer que nunca aconteceu com vocês? Comigo e com os meus irmãos acontece o tempo todo. A minha mãe adora contar, recontar e tricontar para todo mundo histórias dos filhos dela quando eram crianças. E ela faz isso com a maior alegria do mundo e sei que todas as mães o fazem, por isso acredito que nós, filhos, somos verdadeiros presentes para as nossas mães. Portanto, o melhor presente para elas é nos mantermos bons presentes, iguais aqueles que elas têm guardados na lembrança e no coração. Porque no fundo elas não querem muito além disso. Ricas ou pobres, negras ou brancas mães são todas iguais. Querem os filhos ali a mão, como os presentes guardados nas lembranças e no coração que elas vão pegar a hora que quiserem e, ainda que digam o contrário, elas também adoram estar ali a m�o� dos filhos, é claro, e ai de quem ousar tentar roubar o lugar de “eu morro por ti” na vida dos filhos. O posto de heroína é delas e ninguém tasca.

Então, para essas mães que têm nos filhos os seus verdadeiros presentes, os meu parabéns. Parabéns às mães que, como a minha, contra ventos e marés, souberam ultrapassar dificuldades. Parabéns às mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos ao peito, ao colo ou ao seu redor e às que choram inconsoláveis a perda dos seus filhos ou os vêem “perder-se” na vida. Às mães que tiveram a valentia de assumir uma gravidez – talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a vida é sempre um bem maior e uma bênção que não se discute. Às mães que souberam sacrificar uma – talvez brilhante – carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos filhos adolescentes. Às mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas e também às mães que não tendo dado à luz fisicamente, são mães, por generosidade.

A todas as mães, um abraço e um beijo no coração!

Dia das Mães

8 Maio, 2006

Entre Mulheres

Filed under: Crónicas — carlamarcosfernandes @ 1:22 pm

Mulheres, estamos na nossa quinzena. Dia 2 foi o dia da mulher angolana e dia 8 será o nosso dia internacional. Então, os homens queDia Internacional da Mulher me desculpem, mas hoje falarei apenas de nós mulheres. Guerreiras da batalha quotidiana.

Costuma-se dizer que a mulher é o sexo frágil. Eu não concordo com isso. A mulher nasceu com o dom de se moldar as circunstâncias uma vez que ser mulher é ser dura para enfrentar a dor, a miséria, a tristeza, sem nunca desacreditar. Ser mulher é não perder a calma quando tudo falta, quando a vida parece ruir.

Nós mulheres somos feitas de alegria, esperança, luta e perseverança. Também temos um toque de tristeza, de algumas histórias sofridas, mas fazemos do sorriso a nossa fonte de energia. Mulher é assim. Não desiste nunca…

Hoje em dia temos muito mais responsabilidades do que antes. Nós que trabalhamos exercendo os mais diversos cargos, sabemos como é difícil exercer bem o nosso papel na empresa e ainda conseguir conciliar todas as outras atribuições caseiras. Além da casa, marido e filhos, ainda contribuímos para o desenvolvimento social e para a melhoria de todo o país.

Obviamente que a condiçõo actual de muitas mulheres não reflecte a realidade de inúmeras outras, pois há quem ainda viva sob total opressão, violência e exclusão dos seus direitos fundamentais. Isso porque alguns homens ainda sentem com certo constrangimento, para não dizer medo, o crescimento da mulher na vida familiar e na sociedade. Provavelmente, ainda falte um pouco de companheirismo entre nós mulheres, de modo a se obter um senso de equipa, onde a vitória de uma é a conquista de todas. Mas, mesmo tendo ainda muito a conquistar, felicito todas as mulheres pelas vitórias e conquistas já alcançadas.

Então, a minha homenagem vai para todas as Marias, Sónias, Antónias, Anas, Joanas, Belas, Augustas, Julianas, Paulas, Vanessas, Josefas, Teresas, Patrícias, Lúcias, enfim. As mulheres baixinhas, as altas, as lindas, as quase bonitas e até mesmo as feias que tornam-se glamurosas pela bravura que carregam. Esta homenagem vai para as magras, as gordinhas, as tímidas, as virtuosas e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras e as santíssimas. As donas de casa ou àquelas que estão no mercado de trabalho. As que ocupam cargos públicos ou não. As pobres, as ricas, as muito vivas, as inocentes. As inteligentes e as nem tanto. As jovens, as velhas, as solteiras, as casadas, as separadas. As seguras e as indecisas. As bem-amadas, as abandonadas e as livres. As professoras, as médicas, as cozinheiras. As negras, as pardas, as brancas e as mulatas.

Que todas nós continuemos a brilhar neste caminho com a suavidade, a força e a espontaneidade de que nos é natural, ensinando e aprendendo junto aos homens que estiverem ao nosso lado, e que construamos um caminho largo onde todos nós, homens e mulheres, possamos caminhar juntos.

5 Maio, 2006

Vida de Cronista

Filed under: Crónicas — carlamarcosfernandes @ 1:33 pm

Não faz muito tempo, depois de elogiar as minhas crónicas, alguém me perguntou se para mim era fácil escrever. Respondi que era prazeroso. Vida de cronista nem sempre é fácil. Sei que preciso entregar a crónica no prazo, mas nem sempre é possível. Imagino os meus poucos leitores sentindo falta delas e o Benone esperançoso que eu lhe envie logo a próxima e nada. Frustrante. Concordo.

Eh, vida de cronista é uma caminhada cheia de percalços, mas também tem as suas compensações.

Percalços porque preciso, mais do que nunca, estar em dia com os acontecimentos, os factos do dia, buscar fontes, coisas interessantes, me inspirar, entregar as crónicas no prazo – como já disse – (o que nunca acontece), mas existem aqueles momentos que olho para o êcran do computador e dá um branco, justamente como a página do Word. Fico horas sem noção nenhuma do que vou escrever.

Compensações porque graças a Deus, depois de tanta peleja, os leitores elogiam os meus textos (será porque são meus amigos?!). Acredito piamente que não. Outro dia mesmo, umas das minhas leitoras assíduas elogiou um texto que eu tinha escrito faz tempo, um texto de natal “Presente para o pai natal”. Detalhe, ela é tão assídua que só foi ler a crónica de natal agora final de Abril. Olha aí Benone, as pessoas não estão prestando a devida atenção aos novos posts. Mas enfim, como eu dizia, essa leitora elogiou um texto que na minha opinião era o menos interessante. Foi escrito num dia em que eu não estava com a mínima inspiração e, no entanto, esta leitora gostou muito. Fico feliz.

Isso não quer dizer que não quero receber críticas. Críticas também são bem vindas. Acho imprescindível a opinião de uma outra pessoa em relação ao que escrevo, afinal, nem sempre é possível encontrar falhas em algo que foi, supostamente, bem trabalhado. Por exemplo, quando publiquei o texto “A taça do mico é nossa”, num semanário aqui de Angola, recebi algumas críticas de um pessoal ultra-nacionalista. Disseram, na época, que peguei muito pesado porque o mérito da nossa selecção estava em conseguir a vaga para a Copa, não importando o desempenho da mesma. Ok. Não discordo disto, não nego esse mérito, apenas emite a minha opinião quanto ao desempenho da selecção. Outra coisa que fiz foi ser realista quanto aos resultados da Copa. Há quem acredita e jura de pés juntos que vamos à final!!! Peraí né! Vida real é vida real, nacionalismos à parte meu povo.

Mas enfim, ser cronista é isso aí mesmo. Uma das funções da crónica é interferir no quotidiano e “obrigar” as pessoas a “discutirem” sobre o assunto. O cronista, ao contrário de um repórter, pode ser subjectivo. Pode (e deve) falar na primeira pessoa sem envergonhar-se. O cronista é o mais livre dos redactores de um órgão de comunicação. Nas minhas crónicas, por exemplo, prefiro ser directa, assim, atinjo o objectivo com mais rapidez. Faço as pessoas reagirem. Mas, há quem não concorde com o meu estilo. Contudo, elogiadas ou criticadas, a verdade é que as minhas crónicas têm encontrado terreno fértil e, portanto, cumprindo a sua função. Então, que venham as críticas.

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